
Era uma vez um país de galinhas, de galos e de pintos. Havia uma família muito popular, composta por um galo, um pinto e uma galinha. O galo chamava-se Abilgálio Galináceo e a galinha Lolinda Galináceo. Eram casados, em regime de comunhão de bens, e viviam com o seu pinto adorado, o pinto Jacron Galináceo, numa favela, lá para São Gaulo, a chamada Favela da Galinha Assada no Forno.
Esta família era muito popular porque vivia há muito tempo no ovo da pobreza, mas nunca baixara a crista. Os anos passaram e, como quem diz, “grão a grão enche a galinha o papo”, neste caso, encheu a galinha o mealheiro. Um dia, Abilgálio Galináceo partiu o mealheiro, cheio de galineuros e foi tentar a sorte no Euromilhos.
Na semana seguinte, a cabeça do Abilgálio ficou feita em gemada, mesmo em claras batidas em castelo, quando soube que era o milhomilionário da semana. Porém, manteve-se de bico calado, mas por pouco tempo. Logo começou a cantar de galo e a acordar toda a multidão, era um cacarejar ensurdecedor. Contou a notícia à família e, de imediato, partiram todos de avião para a Gália.
Quando chegaram, ainda estavam em pele de galinha e assim ficaram, porque não estavam habituados ao clima frio. Depressa reorganizaram a vida. A Lolinda formou-se em medicina, pois as suas penas eram muito brancas e assim não tinha de gastar galineuros para comprar a necessária bata. O jovem Jacron decidiu-se pela lida doméstica - jogar Playstation e ler a obra completa de Kalimero. Já o galo Abilgálio tornou-se empresário, pois tinha criado uma nova e moderníssima gama de mealheiros. Porém, tornou-se muito galarengo, deitando-se com todas as galinhas que lhe arrastavam a asa.
Joaquim Matias, nº9, 7º1